domingo, 19 de março de 2017

TRISTEZA DE UM FAZENDEIRO
ESCREVEU: DAVI CALISTO NETO
ANTÔNIO MARTINS-RN, 24/09/2016


Vendi meu touro Nelore
A tristeza me consome
Por ele ser bem alvinho
Bramante era o seu nome
Com meu coração doído
Achei melhor ter vendido
Do que ver morrer de fome

Quando eu chamava o seu nome
Ele vinha me encontrar
Pra que eu o alisasse
Sem de nada suspeitar
Sem saber do seu destino
Que o marchante assassino
Só pensava em lhe matar

Eu não podia ficar
Porque faltava ração
E vê-lo passando fome
Doía o meu coração
Sem ter nada pra fazer
Me obriguei a vender
Por causa da sequidão

Não tive satisfação
De receber seu dinheiro
Queria vê-lo no pasto
Com o seu andar faceiro
A seca fez o desgasto
Acabou-se todo pasto
Também secou o barreiro

Até mesmo o juazeiro
A sua folha secou
As que caíram no chão
O gado se alimentou
Sem mais nenhuma opção
As que ficaram no chão
Passou o vento e levou

A tristeza que eu estou
Eu não quero dividir
Mas o sertão que eu nasci
Alguém tem que acudir
Sem água do São Francisco
Sertanejo corre risco
Sertão pode sucumbir

Eu vou ficar por aqui
Mesmo com todo esforço
Enquanto a minha vaquinha
Tiver o couro e osso
Sem ter forças pra andar
E só puder carregar 
O chocalho no pescoço



  


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

MOTE SILVANO LYRA: TÁ DE PORTA ESCANCARADA /A CASA DA PERDIÇÃO
ESCREVEU: DAVI CALISTO NETO.

A inversão de valores
É quem está predominando
Está faltando comando
Aos nossos governadores
Até mesmo os professores
Ninguém dar mais atenção
E a nossa Educação
Ao fracasso está fadada
Tá de porta escancarada
A casa da perdição

Mulheres prostituídas
Sem caráter e sem pudor
A grande falta de amor
Com destruição das vidas
As jovens sendo perdidas
Em busca de emoção
E pra ter satisfação
Ela é vulgarizada
Tá de porta escancarada
A casa da perdição

Acabou-se as tradições
O respeito pelos pais
Se endeusa os marginais
Por suas convicções
E diante das razões
Ninguém dar nem atenção
Só fala em libertação
Que se prega na balada
Tá de porta escancarada
A casa da perdição

Uma descrença total
No Deus que nos trouxe ao mundo
Um desrespeito profundo
Por aquilo que é legal
Valoriza-se o imoral
Que é pra sentir atração
Chamo isso subversão
Na nossa Pátria implantada
Tá de porta escancarada
A casa da perdição

Os políticos acomunados 
Para roubar o País
Eu pensando em ser feliz
Trazer meus filhos educados
Senadores e Deputados
Fazendo corrupção
Que será dessa Nação
Que é por ladrões governada
Tá de porta escancarada
A casa da perdição

O sexo em evidência
Nas ruas e avenidas
Muitas ilusões vendidas
Aumento da violência
O homem sem ter clemencia
Desprezo a Religião
Falta amor no coração
A vida não vale nada
Tá de porta escancarada
A casa da perdição  




segunda-feira, 23 de janeiro de 2017


UMA SIMPLES HOMENAGEM, EM VERSOS, AO MEU AMIGO LUIZ DE TONICO.
ESCREVEU: DAVI CALISTO NETO.

Um amigo verdadeiro
Que cantava por prazer
Quantas noites de lazer
Ouvi esse seresteiro
Não cantava por dinheiro
Mas por todos era aplaudido
Por ser simples e inibido
Aparecer nunca quis
O som da voz de Luiz
Ainda soa em meu ouvido

Homem de bom coração
Com miopia na vista
Um grande violonista
Sem ser sua profissão
Gostava de diversão
Era muito divertido
Por todo mundo querido
Os seus amigos é quem diz
O som da voz de Luiz
Ainda soa em meu ouvido

O timbre de sua voz
Nunca mais ouvi soar
Hoje só resta recordar
Quando ele estava entre nós
A lembrança como algoz
Vem me deixando abatido
Não vai ser substituído
Para me deixar feliz
O som da voz de Luiz
Ainda soa em meu ouvido

Tinha dotes de palhaço
Ao contar suas piadas
Suas mágicas praticadas
Eu já tentei mais não faço
Soube ocupar seu espaço
Por ter sido comedido
Jamais será esquecido
Aqui nesse chão de giz
O som da voz de Luiz
Ainda soa em meu ouvido

Quantas noites eu me acordei
Ouvindo seu violão
Sua voz na amplidão
Hoje à noite eu recordei
Na minha cama me virei
Com sua voz no meu sentido
Tristonho e desiludido
Eu fui rezar na Matriz
O som da voz de Luiz
Ainda soa em meu ouvido

Sei que um dia eu vou ouvir
Seus acordes lá no céu
E vou tirar meu chapéu
Para Luiz aplaudir
Vou ver de novo ele rir
O seu sorriso contido
Feliz e agradecido
Cercado pelos guris
O som da voz de Luiz
Ainda soa em meu ouvido

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

                              VERSOS EM HOMENAGEM AO MEU TIO: DOMINGOS GONÇALVES
                              DE SOUSA, QUE FALECEU NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE 2016.
                              ESCREVEU O SEU SOBRINHO: DAVI CALISTO NETO.
                                       
                                   

 Um professor sem escola
Amante da natureza
Formado sem faculdade
Um coração de grandeza
Um pedreiro de talento
Dono de um conhecimento
Que a formado invejava
Um agricultor de fato
Que tinha o cheiro do mato
E a todo mundo ajudava

Tio Domingos onde passava
Deixava recordação
Um otimista convicto
Sempre foi um brincalhão
Viveu para trabalhar
Foi um cidadão do lar
Simples por convicção
Nunca fez mal a ninguém
Por ser um homem do bem
De Deus terá o perdão

Um adepto da razão
Homem de simplicidade
Foi um conciliador
Completo de humildade
Nunca fez intervenção
Sempre estendeu a mão
Foi do trabalho cativo
Sem de nada reclamar
Nunca foi de protestar
Por só pensar positivo

Ele sempre foi altivo
Nunca se fez de abatido
Seu senso empreendedor
Sempre foi desenvolvido
Foi um senhor de engenho
Mostrando o seu desempenho
Na luta do dia a dia
É isso que mim entristece
Porque se a terra soubesse
Seu corpo não comeria

Tio Domingos viveria
Pra nos dar ensinamentos
Demonstrar sua coragem
Defender seus argumentos
Nos dar lição de moral
Pra não praticarmos o mal
Praticando amor fraterno
Ele foi um homem incrível
Se por Deus fosse possível
Eu o tornaria eterno

Foi um homem subalterno
Sem nunca guardar rancor
Foi vítima de injustiça
Sempre foi um sofredor
Por muitos ele foi amado
Por outros ignorado
Sempre foi acolhedor
Amou quem não lhe amava
Nem por isso reclamava
Pois a todos tinha amor    
                             

domingo, 11 de dezembro de 2016

O PREÇO DA DESIGUALDADE
MOTE: DAVI CALISTO NETO
ESCREVEU: DAVI CALISTO.

Se não fosse o agricultor
Esse homem de mão grossa
Com seu trabalho na roça
Que seria do Doutor
Perderia o seu valor
E a sua liberdade
Não tinha felicidade
Por falta de alimento 
Não existe crescimento
Se tiver desigualdade

É até contraditório
Essa minha posição
Mas a minha explicação
É devido eu ser simplório
Fica evidente e notório
Que ela não tem vaidade
Somente a simplicidade
Sustenta o meu argumento
Não existe crescimento
Se tiver desigualdade

Somente a nossa matéria
Ela é igual por si só
Todos viraremos pó
Ossos, músculos e artéria
 Dentro da urna funéria
Não tem superioridade
Não existe autoridade
E nem terá sofrimento
Não existe crescimento
Se tiver desigualdade

Se não fosse o camponês
Esse homem do sertão
Não haveria patrão
Que pagasse todo mês
Não tinha pão pra vocês
Que nasceram na cidade
Virava calamidade
Ninguém come calçamento
Não existe crescimento
Se tiver desigualdade

O homem simples do mato
Do rico tem diferença
Não precisa da imprensa
Vive no anonimato
Mesmo assim ele é grato
Pela sua liberdade
É rico de honestidade
Mas seu desprezo eu lamento
Não existe crescimento
Se tiver desigualdade

Tudo que a cidade tem
É advindo da terra
Envolvido nessa guerra
O homem do campo vem
Sem ajuda de ninguém
Lutando por igualdade
A nossa sociedade
Impõem esse desalento
Não existe crescimento
Se tiver desigualdade

Sem ter argumentação  
Temer vai encaminhar
Para o Senado votar
Essa grande aberração
O camponês do sertão
Que já tem dificuldade
Sessenta e cinco de idade
Terá o seu aposento
Não existe crescimento
Se tiver desigualdade

Entre as classes sociais
Sei que existe diferenças
Em religiões e crenças
Existem muitos rivais
Até mesmo os animais
Com sua diversidade
Porém na humanidade
Tem que haver julgamento
Não existe crescimento
Se tiver desigualdade

Se a pobreza for tratada
Com diferença e desprezo
O pobre fica indefeso
Vai viver de mão atada
Sua casa uma latada
Sem nenhuma qualidade
Falta-lhe oportunidade
Tratado como excremento
Não existe crescimento
Se tiver desigualdade

É o homem sertanejo
Quem mantem essa Nação
Com os calos de sua mão
Como ser humano eu vejo
Sem alimentar desejo
Nem ter curiosidade
Por não ter prosperidade
Sua vida é um tormento
Não existe crescimento
Se tiver desigualdade




  
  




terça-feira, 29 de novembro de 2016

                                  Mote em setissílabas, dedicados a minha esposa Ana Lima.
                                  Escreveu seu esposo: Davi Calisto Neto.
                                  No jardim da minha vida/Tu és a mais bela flor 

És a rosa perfumada
Que perfuma meu jardim
Você nasceu para mim
Por isso é a minha amada
Você será exaltada
No meu conceito de amor
Seu corpo tem o calor
Pra lhe deixar aquecida
No jardim da minha vida
Tu és a mais bela flor

A razão do meu viver
Você quem me faz feliz
Foi você que eu sempre quis
Pra comigo conviver
Se um dia eu ti perder
Eu serei um sofredor
Porque somente o Senhor
Sabe o quanto ela é querida
No jardim da minha vida
Tu és a mais bela flor

Quando é de manhãzinha
Meu jardim está corado
Pois você já tem brotado
E não vai ficar sozinha
O beija-flor se avizinha
Voando como um condor
E eu como um sedutor
Vendo a roseira florida
No jardim da minha vida
Tu és a mais bela flor

O meu jardim é florido
Com flores de muita cor
Mas tem a flor do amor
De perfume preferido
Eu me sinto enaltecido
Aprendi lhe dar valor
Por ser minha preferida
No jardim da minha vida
Tu és a mais bela flor

Nasceste pra me amar
Eu disso tenho certeza
És coberta de beleza
Como Rainha do lar
É uma mãe exemplar
Eu não sou seu genitor
Mas sou seu admirador
E nunca será esquecida
No jardim da minha vida
Tu és a mais bela flor






 


terça-feira, 22 de novembro de 2016

                                       
                                         AS BENESSES DAS CHUVAS NO SERTÃO 
                                         ESCREVEU: DAVI CALISTO NETO.
                                         ANTÔNIO MARTINS-RN, 22/11/2016

Senti o cheiro da chuva
Mas aqui ela não chegou
As nuvens que tinha no céu
Soprou o vento e levou
Eu fiquei desiludido
Por aqui não ter chovido
E nem se quer serenou

Será que o tempo mudou
E vai chover no sertão
O El Niño foi embora
Pra nossa satisfação
Esse fenômeno maldito
Deixou o sertão aflito
Por não ter mais produção

La Niña com outra ação
Vai nos trazer alegria
No Nordeste vai chover
Pra o campo ter regalia
O rio descer com enchente
Ver o sertanejo contente
Quando amanhecer o dia

O peixe na água fria
Nadar fazendo zuada
Onde o rio faz remanso
Fazer sua desovada
A mata mudar de terno
Porque chegou o inverno
Se alegra a passarada

Uma bezerra atolada
Lá na lama do curral
Um touro escava o chão
O rouxinol no quintal
Canta para agradecer
Não reza por não saber
Por ser um pássaro afinal

Lá dentro do matagal
Uma nambu se peneira
A cobra que venenosa
A sua vítima ela espera
Sem ter chance de defesa
Com seu veneno na presa
Que mata e que dilacera

Sem chover nada prospera
O sertão ficou deserto
Os pássaros morrem de cede
Chora quem passar por perto
A chuva traz a bonança
E renova a esperança
De um sertanejo liberto

Chovendo tudo dar certo
Com a fauna e com a flora
Os animais matam a fome
A tristeza vai embora
A mata muda de cor
Em cada ramo uma flor
Onde o beija-flor explora