sexta-feira, 1 de setembro de 2017


VINTE ANOS DE SAUDADES DA PRINCESA DAIANE
ESCREVEU: DAVI CALISTO NETO.

Vinte anos de saudades
Dessa Princesa do povo
Essa mulher generosa
Da pobreza tinha aprovo
Ela quebrou paradigmas
Enfrentou os seus estigmas
De um mundo de preconceitos
Mostrou que a simplicidade
E a força de vontade
Não roubam nossos direitos

Uma morte prematura
De um ser especial
Uma Princesa da plebe
Ela foi fenomenal
Despida de vaidade
Amante da caridade
Mostrava em suas ações
É digna de exaltação
E a sua recordação
Está em nossos corações

Vítima da intromissão
De paparazzos cruéis
Que em busca de sucesso
Não cumpre com seus papéis
Por não ser especiais  
Quer estampar nos jornais
O furo de reportagem
Ela assim foi perseguida
E terminou perdendo a vida
Essa mulher de coragem

Deixou dois filhos pequenos
A Inglaterra chorou
Ela de origem simples
Ao mundo se revelou
Quis abraçar a pobreza
Desprezou a realeza
Num gesto de humanidade
Todo mundo está lembrado
O seu sorriso estampado
Mostrando a sua beleza

Os seus filhos se tornaram
Dois Príncipes que impõem respeito
Herdaram da mãe Daiane
De não usar preconceito
Mesmo filhos de Princesa
Dos pobres faz a defesa
Pelos laços da herança  
Fugindo dos holofotes
Herdaram da mãe os dotes
De semear esperança

Daiane Levava amor
Em todo canto que ia
Combateu minas terrestres
A AIDS ela combatia
Dos pobres ouvia o clamou
Ela protagonizou
Cenas de humanidade
Quebrou cada protocolo
Crianças negras em seu colo
Mostrando a simplicidade







terça-feira, 29 de agosto de 2017

                    MOTE: CADA CURRAL NO SERTÃO/PRENDE A ALMA DE UM VAQUEIRO 
                                               IVANILDO VILA NOVA E SEVERINO FEITOSA
                                                                 ESCREVEU: DAVI CALISTO 

 Um homem sem vaidade
De coragem e destemido
Um sertanejo assumido
Cabra macho de verdade
Adepto da liberdade
Sem nunca ser trapaceiro
É um herói verdadeiro
Sem fazer revolução
Cada curral no sertão
Prende a alma de um vaqueiro

Levanta de madrugada
Para desleitar a vaca
Não tem atitude fraca
Nessa sua caminhada
Na poeira da estrada
Vai seguindo seu roteiro
Vive como aventureiro
Em busca de emoção
Cada curral no sertão
Prende a alma de um vaqueiro

Metido a conquistador
O vaqueiro sempre foi
A sua paixão o boi
Sua arma um chiqueirador
Um cavalo corredor
Pra lhe servir de parceiro
A filha do fazendeiro
Sua maior ilusão
Cada curral no sertão
Prende a alma de um vaqueiro

O seu esporte é correr
Dentro da mata fechada
Sua merenda é carne assada
Cavalgar é seu prazer
Vaquejada o seu lazer
Na estrada ou tabuleiro
É vigia de chiqueiro
Protegendo a criação
Cada curral no sertão
Prende a alma de um vaqueiro

Esse homem do sertão
Dotado de inteligência
Ao rebanho dar assistência
Sem nenhuma formação
É do gado a proteção
Também é um curandeiro
Faz seu serviço ligeiro
Sem fazer reclamação
Cada curral no sertão
Prende a alma de um vaqueiro  
           

quinta-feira, 24 de agosto de 2017


                                      MOTE: DE SILVANO LYRA
                                      ME ORGULHO DE SER MATUTO/DO MEU TORRÃO NORDESTINO
                                      ESCREVEU: DAVI CALISTO NETO

É pobre o meu linguajar
Sem metáforas e sem sinônimos
Eu sou mais um dos anônimos
Que não pude estudar
Mas aprendi aboiar
Quando eu era menino
Hoje sou um beduíno
Da liberdade eu desfruto
Me orgulho de ser matuto
Do meu torrão nordestino

Minha calça uma perneira
Minha camisa um gibão
Meu calçado um butinão
Minha arma uma peixeira
Meu sofá uma cadeira
O meu herói Virgulino
O meu horóscopo o destino
O nordeste o meu reduto
Me orgulho de ser matuto
Do meu torrão nordestino

Minha casa uma choupana
A diversão vaquejada
Meu alpendre uma latada
Minha paixão uma serrana
A minha bebida é cana
Minha crença é no Divino
Sou romeiro Peregrino
Desconfiado e astuto
Me orgulho de ser matuto
Do meu torrão nordestino

Minha comida é feijão
E pirão de mocotó
A minha música é forró
Xote, xaxado e baião.
Meu santo é Frei Damião
Que nunca foi clandestino
Meu artesão Marcolino
De valor absoluto
Me orgulho de ser matuto
Do meu torrão nordestino

Cordel é minha cultura
Gosto de carne de bode
Um cabelo do bigode
Eu uso como escritura
O meu doce é rapadura
Que faz bem ao intestino
O meu pai é Severino
A quem respeito e escuto
Me orgulho de ser matuto
Do meu torrão nordestino








domingo, 23 de julho de 2017

                                   MOTE: FAZ DA VIDA UMA MIRAGEM/QUEM LEVA 
                                                             A VIDA A SONHAR
                                             ESCREVEU: DAVI CALISTO NETO.


A vida é pra ser vivida
Com luta e dedicação
Viver só de emoção
As vezes não tem saída
Muitas vezes ela é perdida
Sem nem mesmo começar
A vida sem trabalhar
É viver sem ter coragem
Faz da vida uma miragem
Quem leva a vida a sonhar

Quem nasce predestinado
Quer se aventurar em tudo
Não dar valor a estudo
Nunca está conformado
Seu viver é perturbado
Sempre querendo galgar
Só pensa em se destacar
Sem entender a mensagem
Faz da vida uma miragem
Quem leva a vida a sonhar

Não respeita mãe e pai
Só quer ser absoluto
Quer ser dono do reduto
Não sabe pra onde vai
Quando no fracasso cai
Procura alguém pra culpar
Quem tenta lhe aconselhar
Ele diz isso é bobagem
Faz da vida uma miragem
Quem leva a vida a sonhar

Precisa ter compromisso
Também responsabilidade
Não é só de vaidade
A vida não é só isso
Se o homem for omisso
A vida vai lhe cobrar
Quem leva a vida a brincar
Não chega o fim da viagem
Faz da vida uma miragem
Quem leva a vida a sonhar

Quem vive de ilusão
Muitas vezes paga caro
O mundo é um mestre raro
De ninguém tem compaixão
Sendo jovem ou ancião
Ele é quem vai ensinar
Depois ele vai cobrar
De cada um a bagagem
Faz da vida uma miragem
Quem leva a vida a sonhar 

terça-feira, 25 de abril de 2017

MOTE EM SETE SÍLABAS: FOI MORTO E CRUCIFICADO/PARA NOS DAR SALVAÇÃO.
ESCREVEU: DAVI CALISTO NETO.
ANTÔNIO MARTINS-RN, 25/04/2017.

Foi perseguido e vendido
Cristo filho de Maria
Nasceu numa estribaria
Por ninguém ter acolhido
Tornou-se o preferido
Mesmo sem ter condição
Ao pecador deu perdão
Nunca cometeu pecado
Foi morto e crucificado
Para nos dar salvação

Ele precisar voltar
Para vim buscar o seu povo
Vem trazendo algo novo
Que precisa revelar
Quem quiser lhe acompanhar
Para celeste mansão
Tem que ter bom coração
E o mal não ter praticado
Foi morto e crucificado
Para nos dar salvação

Há mais de dois mil anos
Que esse fato aconteceu
O meu Salvador morreu
Mas não deixou desenganos
Ele deixou os seus planos
De fazer transformação
E na sua pregação
Tudo já foi confirmado
 Foi morto e crucificado
Para nos dar salvação

Foi morto entre dois ladrões
Sem apresentar revolta
Todos esperam a sua volta
Para ouvir os seus sermões
Diante as afirmações
O que tiver redenção
Terá a constatação
Que será ao céu levado
Foi morto e crucificado
Para nos dar salvação

Foi julgado por Pilatos
Trocado por Barrabás
Ele enfrentou Satanás
Conforme relatam os fatos
Sem revelar os seus atos
Ele usou submissão
Diante a acusação
Preferiu ficar calado
Foi morto e crucificado
Para nos dar salvação

Dimas que foi companheiro
Que do seu lado foi morto
No sofrimento do horto
Ele se rendeu primeiro
Disse ao Cristo verdadeiro
Eu lhe peço remissão
Cristo lhe deu o perdão
Mas Gestos foi condenado
Foi morto e crucificado
Para nos dar salvação

A sua morte na cruz
O seu sangue derramado
Pra nos livrar do pecado
O seu nome era Jesus
Seus lindos olhos azuis
Roubava a nossa atenção
Fez da vida uma missão
Mesmo assim foi condenado
Foi morto e crucificado
Para nos dar salvação

Quem com ele conviveu
Pode sentir seu amor
Ele é o salvador
Veio salvar o povo seu
Chamado de Galileu
Trouxe paz e redenção
E na sua pregação
Não foi bem interpretado
Foi morto e crucificado
Para nos dar salvação

Esse Cristo está voltando
Para levar o seu povo
Mas vai encontrar de novo
Herodes se disfarçando
Pilatos se transformando
Não tomando decisão
Um Barrabás na prisão
Pra ser por Cristo trocado
Foi morto e crucificado
Para nos dar salvação








A DESCARACTERIZAÇÃO DE NOSSAS TRADIÇÕES:
ESCREVEU: DAVI CALISTO NETO.


Até o Judas de hoje
Ele está afeminado
Não meu tempo de menino
O judas era fabricado
Usando barba e bigode
Pra ficar mal encarado

Hoje o Judas é transviado
De aparência singela
Escanchado numa mota
Com as feições de donzela
Não retrata as tradições
Nem sua história revela

Sem ter jumento nem cela
Que era o seu condutor
Passando de casa em casa
Um Judas provocador
Que as crianças pequenas
Do Judas tinham pavor

Tinha um interlocutor
Que pelo Judas falava
Todos faziam silêncio
Cada palavra escutava
Depois daquele diálogo
Todos o Judas vaiava

Quando ele se retirava
Todos iam comentar
Uns falavam de seu porte
E outros de seu olhar
E os meninos pequenos
A mãe ia acalentar

Por isso eu vim protestar
Os Judas de hoje em dia
Que não causa mais suspense
Nem a ninguém arrepia
E as nossas tradições
Virou tecnologia

Eu sei que haverá um dia
Que vão pedir o passado
Com respeito as tradições
Com um povo mais educado
Com uma ciência de ponta
E com o povo mais respeitado

Sem promover o passado
Que está em nossa memória
Mas temos que preservá-lo
Para que tenhamos história
Se não nossa sociedade  
Jamais obterá glória  









 


domingo, 19 de março de 2017

TRISTEZA DE UM FAZENDEIRO
ESCREVEU: DAVI CALISTO NETO
ANTÔNIO MARTINS-RN, 24/09/2016


Vendi meu touro Nelore
A tristeza me consome
Por ele ser bem alvinho
Bramante era o seu nome
Com meu coração doído
Achei melhor ter vendido
Do que ver morrer de fome

Quando eu chamava o seu nome
Ele vinha me encontrar
Pra que eu o alisasse
Sem de nada suspeitar
Sem saber do seu destino
Que o marchante assassino
Só pensava em lhe matar

Eu não podia ficar
Porque faltava ração
E vê-lo passando fome
Doía o meu coração
Sem ter nada pra fazer
Me obriguei a vender
Por causa da sequidão

Não tive satisfação
De receber seu dinheiro
Queria vê-lo no pasto
Com o seu andar faceiro
A seca fez o desgasto
Acabou-se todo pasto
Também secou o barreiro

Até mesmo o juazeiro
A sua folha secou
As que caíram no chão
O gado se alimentou
Sem mais nenhuma opção
As que ficaram no chão
Passou o vento e levou

A tristeza que eu estou
Eu não quero dividir
Mas o sertão que eu nasci
Alguém tem que acudir
Sem água do São Francisco
Sertanejo corre risco
Sertão pode sucumbir

Eu vou ficar por aqui
Mesmo com todo esforço
Enquanto a minha vaquinha
Tiver o couro e osso
Sem ter forças pra andar
E só puder carregar 
O chocalho no pescoço